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17
dez
08

sobre os nossos malditos d20s

Dessa vez vamos começar devagar. Sabe o seu d20? Aquele que você escolhe porque tem certeza que ele lhe dará sorte. Ele que sempre tem a missão de eliminar o seu arqui-inimigo, ele que sempre deve lhe salvar do terceiro saving throw antes da morte, enfim… ele que você usa todos os dias. Então, ele subiu no telhado. Aliás, subiu e você nunca soube disso.

O que venho trazer desta vez é a verdade. Seu d20 não funciona direito, ao menos não como deveria. E talvez esse post explique muitas das suas mortes jogando d&d.

Antes de continuar eu gostaria que você, caro leitor, pegue seu d20 aí no canto e, enquanto lê a matéria, vá simplesmente jogando e anotando os resultados. Aliás, se possível grife, circule ou marque da maneira que achar mais conveniente os números 2, 6, 9, 10, 11, 12, 15, 19. São 8 números de 20. Simples, anote todos, mas só selecione esses.

Voltando agora, um pouco de história: +- 30 anos atrás um bom velinho (que não é o papai-noel, mas é o responsável por essa matéria) começou a fabricar os primeiros d20 no mundo. Eu não sei exatamente como é o processo de fabricação de dados, mas ele envolve as seguintes etapas: injetar plástico (ou material desejado) em estado líquido no molde, esperar secar, destacar do molde, pintar os números e pronto, aqui temos um dado novinho em folha para matar os PJs (no meu caso… ando mestrando demais) certo?

Bem, no começo era assim, mas na fase de destacar o dado do molde de plástico, sempre ficava uma marca, como um arranhado na face que ligava o dado ao molde. Pois bem, nínguém gosta de ver o seu dado arrando certo? Eu pelo menos não ficaria muito feliz não e dificilmente comprara um dado assim.

Então a maioria das empresas de fabricação de dados decidiu acrescentar algumas etapas nessa construção: colocar o dado girando numa lixa para remover as pontas, pintar para cobrir o “rasgo” no dado e colocar girando na lixa denovo para polir e dar esses cantos arredondados que temos hj. E o que vc, pobre jogador tem a ver com isso?

Por essas lixadas seu dado acaba ligeiramente oval. Ou seja, as faces não ficam mais todas com a mesma distância do centro e se você é tão esperto quanto eu acho que é logo pode deduzir que tens um dado viciado nas mão. Mas espere, não acredita que isso seja assim? Vamos ao teste:

1. Pegue a máxima quantidade de d20s que vc conseguir. Acho que uns 10 são suficientes para o teste. Mas quanto mais melhor. Ah! E pegue um número par de dados

2. Faça 2 pilhas iguais com eles, com um numero igual de dados em cada uma delas, óbvio. Na primeira coloque sempre a face 9 ou 12 do dado debaixo para cima, servindo de apoio para o próximo dado.

3. Na segunda pilha escolha duas faces opostas quaisquer (como 17 e 4) e novamente empilhe com o mesmo princípio: 17 ou 4 sempre servindo de base para 17 ou 4.

4.Agora compare a altura. Deveria ser exatamente a mesma certo? Pena que não é. A primeira pilha é mais baixa. E a diferença é visível!

E isso mostra como os dados que nós jogamos não são tão aleatórios assim. Como parte considerável dele é “achatada” e seu contorno não é uniforme as as faces não tem a mesma distância do centro, e logo é mais difícil se equilibrar nas pontas. Assim alguns números infelizmente tem mais chance de sair eu eu sei que é uma pena que o 20 não é um deles.

Eu não descobri isso tudo ao acaso, foi vendo a entrevista pelo youtube do bom velinho que vende dados desde que o d20 existe que aprendi isso. Ele inclusive fabrica ainda dados randômicos de verdade (chamados por aí de precise dice… dados “precisos” ou alguma coisa assim) Que podem ser encomendados pela amazon pela bagatela de 9 dolares o kit com 7 dados, barato não? Infelizmente você só percebe o sneak attack nas suas costas quando descobre que o frete é 40 DÓLARES!!!! WTF!!!

Quem sabe eu compre um dia quando dinheiro nascer em árvore, sei lá.

A propósito, lembra de quando eu pedi para jogarem e anotarem os valores? Se não for pedir demais, contem quantos dos números citados acima sairam e façam a proporção de acordo com o número de vezes que o dado foi jogado. Eu aposto que o número é superior a 8/20. Claro, dado é dado, e simplesmente pode ter dado sorte de sair uma proporção  e blá-blá-blá. Mas estatisticamente, tanto o seu dado como os nossos personagens estão #@&^&*> !!!

fato bizarro do dia: o exército americano gastou (se eu não me engano) 65.000 dólares numa máquina que fizesse d20s sem a tal ranhura.

fonte e mais informações a respeito: http://www.leenks.com/link135656.html

12
nov
08

sobre a coluna Confessions of a Full-Time Wizard

Eu andava a fim de escrever algo sobre a Dragon Magazine. A atual Dragon Magazine by the way, mas decidi falar um pouco sobre uma escritora da dragon: Shelly Mazzanoble. Obviamente poucas pessoas acompanhavam a antiga Dragon Magazine, pela língua estrangeira e pelos preços nada convidativos da distribuidora oficial no Brasil. A vantagem agora pelo menos, é que com o formato digital (leia: PDF) o preço fica um pouco mais universal (ao menos para os felizardos que possuem um cartão de crédito internacional… =/)

Mas voltando ao assunto. A coluna dela é, de longe, a que mais me chama atenção nessa nova “revista”. Não pelo conteúdo, infelizmente eu ainda tenho a péssima de mania de olhar as classes, feats, equipamentos antes de qualquer outra matéria em cada dragon. Eu gosto da coluna dela porque quando leio me identifico, especialmente pelas burradas que já fiz um dia como jogador ou mestre. Mas o que mais me chama a atenção é que ela mostra um lado mais humano do role playing game… Eu sei que parece enrolação, mas ela (talvez sem perceber) escreve sobre o que acontece com você quando você de um dia para o outro faz parte desse grupo estranho que anda por aí com livros debaixo do braço, se reúne nos fins de semana e de vez em quando recebe a alcunha de adoradores do capeta.

E você deve estar se perguntando “Mas afinal o que ela escreve?” Em primeiro lugar ela escreve sobre a vida dela como mulher jogadora (e agora mestre) de D&D. Em segundo porque o discurso dela não é apenas de um ser XX jogando RPG (e vocês sabem como isso é raro!), mas mais do que isso é de alguém conhecendo nosso mundo. E porque eu acho a coluna dela tão boa? Porque ela discute coisas que em 30 anos de existência (do RPG, não a minha…) eu nunca vi ninguém se quer tocando no assunto. Ela conta basicamente histórias pessoais, ocorridas em sua maioria durante jogos de RPG. Seja como jogadora ou mestre o que ela mostra é praticamente um diário de um novato. Situações confusas, engraçadas quando você não entende bem o sistema, as coisas boas e as pressões principalmente de ser mestre ou um jogador. Ou como tentar explicar o que é RPG para o resto do mundo (e não conseguir). Na verdade são artigos bem fáceis de ler (in English… infelizmente) e parecem simples historinhas na sua revista de opções para personagem mas, na minha opinião, revela sem querer aquilo que todos nós já passamos um dia e ninguém teve coragem de nomear…

A coluna para quem ficar curioso: Confessions…

14
out
08

Diga não ao cavaleiro das bolinhas amarelas!

 

cavaleiro das bolinhas amarelas

cavaleiro das bolinhas amarelas

Faz muito tempo (e por muito eu quero dizer muito mesmo) que eu acompanho os sites de RPG por essas bandas. Não é um acompanhamento muito fiel, eu confesso, mas pelo menos acompanho como a grande maioria dos rpgistas: quando eu preciso! Quando a falta de idéias é tamanha que sou obrigado a apelar para a internet… Quando estou precisando de alguma imagem/música para usar num jogo… Quando quero me atualizar a respeito de lançamentos, regras ou… Simplesmente quando a taxa de RPG no meu sangue esta tão baixa que passar 15 min. num portal de RPG é suficiente.

 

Porém, de uns anos pra ca passei a freqüentar também sites estrangeiros. Sejam grandes portais, sites de editoras, blogs perdidos, etc. Enfim, o propósito deste post é justamente falar sobre isso.

O começo:

Todo mundo sabe da falta de editoras sobre RPG por aqui. Tirando aquela que monopoliza as traduções das grandes editoras americanas e meia dúzia de pequenas editoras produzindo material próprio, mas sem suporte algum, não há uma produção rpgistica (se é que essa expressão existe…) condizente com o numero de jogadores. Em poucas palavras falta material.

Então, a conseqüência lógica é que, com a internet dando sopa, todo mundo se da o direito de escrever (infelizmente!!!), criar sistemas, regras, subsistemas, ambientações, etc. etc. e etc. Uma procura rápida mostra blogs, portais e até na comunidade de relacionamento mais usada como temos material de sobra sobre novas classes, raças, feats, magias, armas, clãs, disciplinas, ordens e tudo mais: Seria tudo lindo e maravilhoso e eu agradeceria ao Flying Spaghetti Monster todos os dias pela dádiva da criatividade dada ao ser humano se… essa criação toda não fosse péssima… Eu acho muito legal house rules, classes, raças, clãs, ordens novas, mas é horrível como o que mais se escreve sobre RPG se resume a isso. Eu sei que ninguém tem como montar um time de play teste, revisar, adaptar, editar e tornar jogável, mesmo porque o autor da classe de prestigio do cavaleiro das bolinhas amarelas não tem como propósito fazer isso. Ele quer no máximo postar a sua classe no Orkut ou no seu blog para mostrar para os amigos e familiares e quem sabe usar ela numa sessão ou outra. Ou seja, criamos material novo porque não temos nada pronto por ai. E antes que que alguém pense que estou falando mal da criatividade, please, leia um pouco mais.

Deixando o cavaleiro das bolinhas amarelas de lado um pouco, o que percebi quando saltei pelas fronteiras do nosso pais, é que o material produzido por editoras em inglês é muito maior do que eu imaginava. Fica realmente difícil criar algo novo sozinho, porque provavelmente já tem alguém que pensou, escreveu, editou e colocou a venda a sua idéia muito antes dela surgir. Fora a famigerada Wizards, existem muitas outras editoras (formadas principalmente por quem já foi da Wizards, TSR, White-Wolf, etc.) imprimindo livros sobre RPG pra &!#*@! E tirando o viés capitalista do mal do nosso hobbie favorito (do qual falarei em outro post, inclusive sobre a minha visão da pirataria…) essa abiogênese rpgistica é sim boa porque, na pratica libera tempo pra melhores jogos. Mestres se concentrando numa história boa e jogadores com personagens mais divertidos. E pra você que ainda não entendeu, eis aqui um exemplo:

Hmmm; vou montar uma ambientação com macacos alados que cavalgam repteis azuis e onde todo plebeu é mago naturalmente. Mas espere, existe uma ambientação sobre seres alados e outra sobre macacos. E tem o livro X sobre regras pro-avançadas de ride (cavalgar), e ainda três livros completos de editoras diferentes sobre magos. Obviamente eu poderia perder alguns meses de vida criando tudo do nada, ou usar algo pronto e me concentrar na historia.

Espero que ninguém em sã consciência jogue uma coisa dessas, mas meu ponto e justamente que o contexto político das nossas editoras estraga o nosso jogo. Podemos criar é claro, mas dificilmente criaremos algo tão bom como quem trabalha e dedica todo o horário comercial de pelo menos cinco dias por semana apenas pra isso. E se mais gente pudesse trabalhar com isso por aqui seria muito melhor. E eu seria uma delas é claro.

Enfim, meu stress não é com o direito das pessoas exercerem sua criatividade, mas com onde ela é exercida. Ela só é exercida onde é porque não temos opção.

Pra finalizar andei conhecendo também uns blogs de gente que le o que eu leio, e que também coloca a opinião em blogs. Eis aqui os dois exemplos:

http://www.rolando20.com.br/

http://www.areacinza.org/

edit: imagem de Daniel Adami




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